Missão Virtual

Como corrigir o universo

8 08UTC Julho 08UTC 2009 · Deixe um comentário

O homem é mortal,
Pode muito bem ser verdade,
Porém morramos resistindo.
Se é o nada que nos aguarda,
Vivamos de modo que esse seja um destino injusto.

- Miguel de Unamuno, citando Senancour a seu próprio modo
em Do Sentimento Trágico da Vida

Fonte: Paulo Brabo, no indispensável A Bacia das Almas.

→ Leave a CommentCategorias: Frases e citações
Etiquetado:

Novo livro do Donald Miller

7 07UTC Julho 07UTC 2009 · Deixe um comentário

A million miles in a thousand years

"A million miles in a thousand years"

Há algumas semanas, Donald Miller publicou em seu blog um link para download dos três primeiros capítulos de seu novo livro, “A million miles in a thousand years” (ainda não lançado nos EUA). Para quem gosta do autor, é um prato cheio. Pena que a Thomas Nelson ainda não tenha se mobilizado para publicar outras obras dele em português.

→ Leave a CommentCategorias: Livros
Etiquetado: , ,

Duas escolhas (Max Lucado)

7 07UTC Julho 07UTC 2009 · Deixe um comentário

“Que farei então de Jesus, que se chama Cristo?” (Mateus 27:22).

Pilatos está certo em sua pergunta. “Que farei então de Jesus, que se chama Cristo?” Talvez você, como Pilatos, esteja curioso sobre este que se chama Jesus.

O que você faz com um homem que afirma ser Deus, mas odeia religião? O que você faz com um homem que se auto denomina o Salvador, mas condena sistemas? O que você faz com um homem que sabe o lugar e a hora de sua morte, mas vai até lá assim mesmo?…

Você tem duas escolhas.

Você pode rejeitá-lo. Essa é uma opção. Você pode, como muitos fizeram, chegar à conclusão de que a idéia de Deus tornar-se um carpinteiro é muito estranha – e sair.

Ou você pode aceitá-lo. Você pode fazer a jornada com ele. Você pode ouvir sua voz no meio de centenas de vozes e segui-lo.

“Duas escolhas” texto devocional de Max Lucado, publicado pelo site Irmãos.com (que reúne a maior parte dos textos do autor em português).

→ Leave a CommentCategorias: Frases e citações
Etiquetado: , ,

Maravilhosa graça

6 06UTC Julho 06UTC 2009 · Deixe um comentário

Fonte: Pavablog

→ Leave a CommentCategorias: Frases e citações
Etiquetado: , ,

Cochilando nas tempestades

6 06UTC Julho 06UTC 2009 · Deixe um comentário

por Luiz Henrique Matos
(Tópico de reflexão para o grupo pequeno em 1/4/9)

Certo dia Jesus disse aos seus discípulos: “Vamos para o outro lado do lago”. Eles entraram num barco e partiram. Enquanto navegavam, ele adormeceu. Abateu-se sobre o lago um forte vendaval, de modo que o barco estava sendo inundado, e eles corriam grande perigo. Os discípulos foram acordá-lo, clamando: “Mestre, Mestre, vamos morrer!” Ele se levantou e repreendeu o vento e a violência das águas; tudo se acalmou e ficou tranqüilo. “Onde está a sua fé?”, perguntou ele aos seus discípulos. Amedrontados e admirados, eles perguntaram uns aos outros: “Quem é este que até aos ventos e às águas dá ordens, e eles lhe obedecem?”

- Lucas 8:22-25

No meio da tempestade, Jesus cochilava. Em meio ao desespero, o medo da morte, na violência do vendaval, Jesus pergunta serenamente: “onde está a sua fé?”

No trajeto da vida, as tempestades sempre existirão. O que precisamos saber é que, seja qual for a circunstância, podemos confiar naquele que “aos ventos e às águas dá ordens, e eles lhe obedecem”.

→ Leave a CommentCategorias: Estudos · Reflexões

A ponte

6 06UTC Julho 06UTC 2009 · Deixe um comentário

→ Leave a CommentCategorias: Frases e citações
Etiquetado: , ,

Dios te bendiga

2 02UTC Julho 02UTC 2009 · Deixe um comentário

Abe Laboriel e Paul Jackson Jr., ao vivo, em Edimburgo.

→ Leave a CommentCategorias: Frases e citações
Etiquetado: , , , ,

Por uma fé simples e uma vida cheia do Espírito

30 30UTC Junho 30UTC 2009 · Deixe um comentário

por Luiz Henrique Matos

O nome é de livro pentecostal :) mas esse é mais um da série de estudos e sermões que venho postando por aqui há uns meses (eu não faria o desfavor de colar o texto na íntegra).

“Por uma fé simples e uma vida cheia do Espírito” foi a mensagem que ministrei a um grupo de jovens na cidade de Itapeva (SP) no último dia 30 de maio.

Clique para baixar: Por uma fé simples e uma vida cheia do Espírito

Boa leitura. E depois me diga o que achou.

(foto no Flickr de Peter from Wellington)

→ Leave a CommentCategorias: Estudos
Etiquetado: , , , ,

Cenas domésticas: Sesta

29 29UTC Junho 29UTC 2009 · Deixe um comentário

por Luiz Henrique Matos

Depois do almoço, a Nina estava descaradamente com sono.

- Papai, quero o DVD da Lola…
- A Lola e o Charlie foram dormir um pouco, filha.
- Quero o Barney.
- O Barney também está cochilando.
- Ahnf! – contrariada, esfregando os olhos.
- Nina, você sabe o que tooodas as criancinhas fazem, quietinhas, deitadas, logo depois do almoço?
- Arrãm.
- Ah, sabe? O que elas fazem?

Ela pensou um pouco.

- Bagunça!

→ Leave a CommentCategorias: Crônicas
Etiquetado: ,

Sem perder a reverência

27 27UTC Junho 27UTC 2009 · 1 Comentário

por Luiz Henrique Matos

Pedro o olhava e via o amigo com quem tantas vezes repartiu a manta durante as vigílias e viagens pelas madrugadas. Maria o olhava e via o filho a quem educou, alimentou e repreendeu quando seguia distraído brincando pelo vilarejo. João Batista o olhava e via o primo, companheiro de jogos durante sua infância.

E todos o chamavam Senhor e Cristo.

Era Deus. E era um homem tão cativante e próximo que a relação com ele chegava a ser ambígua. De Pedro que o negou, na dúvida sobre sua postura de submissão diante da morte iminente. Maria que lhe pediu favores acreditando inocentemente na sua autoridade de mãe. E João, que estando preso, pediu que lhe perguntassem se era ele mesmo o Messias.

Mas ao olhar em seus olhos, ao ouvir seu ensino, sentir seu toque… em sua presença ninguém fica indiferente. Diante do Deus vivo é impossível não ser reverente, cair de joelhos e o amar sem saber de onde ou porquê. Não há como não ser revirado pelo sagrado, o divino, o poder absoluto, o soberano, a verdade, a sabedoria, o amor. Deus em sua essência. E adorá-lo.

É consolador saber que ele está sempre tão perto. Um pai presente e carinhoso, um amigo fiel, uma voz de alento que nos dirige os passos. Mas em meio à descoberta do amor e da graça, não podemos perder de vista que ele é Senhor.

É nessa hora que, mesmo sabendo que Deus deseja um abraço de seu filho pródigo, a única reação possível é prostrar-se diante daquele que é, do Deus vivo e render-se a esse seu amor absurdo. Ele é Deus.

“Por isso Deus o exaltou à mais alta posição e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai.” (Filipenses 2:9-11).

→ 1 ComentárioCategorias: Crônicas · Reflexões
Etiquetado: , , ,

Realização do homem, realização de Deus

27 27UTC Junho 27UTC 2009 · 1 Comentário

Rui Luís Rodrigues é um pensador e eu o admiro. Não porque ele seja pastor da minha comunidade, mas porque sua capacidade de trazer a verdade à tona supera a resistência inicial que qualquer um tenha à sua mensagem indigesta. E encanta. A cada vez que o ouço anunciar as boas novas ou leio algumas de suas reflexões, encontro algo que tem espelho naquilo em que firmo a minha fé e esperança.

Agora o Rui escreveu um livro. E que livro! Ainda estou no começo da leitura, mas fico feliz em saber que posso ter e consultar um olhar muito particular do Reino que me amplia a visão.

Abaixo, segue a capa do livro “Realização do homem, realização de Deus” publicado este mês pela Editora Reflexão. Estou colando também o texto da contra-capa, caso queira mais detalhes.

Recomendo.

Realização do homem, realização de Deus

Realização do homem, realização de Deus

A obra que você tem em mãos reúne os ensaios escritos pelo teólogo e historiador brasileiro Rui Luis Rodrigues. Convencido de que a principal tarefa da teologia cristã é a de construir pontes entre a fé e a cultura, o autor defende que sem o diálogo entre a igreja e as pessoas da presente geração, qualquer missão cristã pode ser considerada inviável. A teologia cristã não nasceu para ser exemplo consumado de irrelevância!

Realização do homem, realização de Deus é uma obra composta por artigos independentes mas, ao mesmo tempo, conectados. Apresenta a teologia cristã como exercício plenamente humano e reflexivo, valorizando as riquezas da Escritura, mas também da História.

A partir de duas intuições fundamentais, aquela que destaca a percepção de um Deus interessado em levar o ser humano à realização dos seus potenciais, e uma outra que procura identificar o impacto, sobre a igreja e a teologia, da modernidade e suas especificidades, o autor procura
demonstrar que a autêntica teologia, na condição de serva da igreja e serva de Deus, jamais será incompatível com a verdadeira espiritualidade.

Rui Luís Rodrigues

O autor é professor de Teologia Dogmática na Faculdade de Teologia Comunidade Carisma, em Osasco/SP. Graduado em História pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, ele atualmente realiza estudos de pós-graduação em nível de Doutorado em História Social na mesma Universidade.

→ 1 ComentárioCategorias: Livros
Etiquetado: ,

C. S. Lewis

26 26UTC Junho 26UTC 2009 · Deixe um comentário

Sou fã incondicional de C. S. Lewis desde que me deparei com alguns artigos e ensaios de sua autoria na internet. Desde então, leio e coleciono tudo o que encontro dele em lingua portuguesa. Cristianismo puro e simples figura entre meus livros favoritos.

Hoje, vi uma boa surpresa do que nunca tentei buscar: um video no YouTube com ministrações do escritor (na verdade áudios) que serviram de base para o livro.

Veja abaixo o que indicou o Pavarini no último post de seu blog (e a partir do vídeo, outros links relacionados).

Bom fim de semana.

→ Leave a CommentCategorias: Frases e citações
Etiquetado: , , ,

África

26 26UTC Junho 26UTC 2009 · Deixe um comentário

Nossos irmãos mais velhos gritam por socorro e nosso Pai pede para que seus filhos o ajudem a salvar parte da “família”. Acho que a igreja realmente faz muito pouco a respeito. Mas para não ser o crítico que não olha o próprio umbigo, preciso admitir que se a igreja faz pouco, eu não faço nada.

No último mês, duas mulheres da comunidade a que pertenço foram até Moçambique dar apoio a um projeto missionário que sobrevive naquele país. Abaixo, segue o vídeo com algumas imagens da viagem.

Está nas mãos da igreja mudar esse cenário.

Leia também: Palestra de Rick Warren em São Paulo

→ Leave a CommentCategorias: Reflexões
Etiquetado: , ,

Mais terrível é ter voz sem ter o que proclamar

25 25UTC Junho 25UTC 2009 · Deixe um comentário

Nos anos ’50 o famoso evangelista W.E. Sangster descobriu que tinha uma doença incurável, que causava atrofia muscular progressiva. Seus músculos iriam aos poucos atrofiar e ele perderia sua voz. Sangster se entregou ao máximo no seu trabalho de missões domésticas na Inglaterra.

Mas, aos poucos sua voz acabou por completo. Tremendo, ele ainda conseguia segurar uma caneta. Na manhã de seu último domingo de páscoa, poucas semanas antes de falecer, ele escreveu um recado para sua filha.

Na mensagem ele escreveu, “É terrível acordar no domingo de Páscoa sem voz para proclamar “Ele ressuscitou!”. Porém, mais terrível ainda seria ter uma voz e não ter nada para proclamar.”

Trecho do texto “O Verdadeiro São João”, de Dennis Downing publicado pelo site Iluminalma.com.br

→ Leave a CommentCategorias: Frases e citações
Etiquetado: , ,

Com Deus eu me entendo

22 22UTC Junho 22UTC 2009 · Deixe um comentário

“Com Deus eu me entendo. Com os homens, é mais difícil.”
- Nélida Piñon

Fonte: Pavablog

→ Leave a CommentCategorias: Frases e citações
Etiquetado:

Pensando na vida

18 18UTC Junho 18UTC 2009 · Deixe um comentário

Para pensar um pouco na vida.

“Onde estiver o seu tesouro, ali também estará o seu coração”
- Jesus Cristo

“Pois o homem é escravo daquilo que o domina”
- Pedro, o apóstolo

Pensando bem, para pensar muito na vida.

→ Leave a CommentCategorias: Frases e citações

O menino do pijama listrado

10 10UTC Junho 10UTC 2009 · Deixe um comentário

por Luiz Henrique Matos
(comentário para o blog Livros só mudam pessoas)

Faz tempo que eu não lia um livro em tão pouco tempo. Tá certo, não sou dos leitores mais ágeis, mas me explico: em geral gosto de me ater e entreter em cada palavra, nas frases, leio como se degustasse e não como se engolisse. Mas isso é opção, às vezes invejo amigos que devoram obras em dois ou três dias.

Pois li “O menino do pijama listrado” em uma semana exata. Para mim, feito raro. Mas li do meu jeito, degustando. E vale cada letra. John Boyne escreveu um romance curto, simples, sensível e muito profundo.

A história acontece no período da segunda grande guerra e tudo começa quando o pai de Bruno, um garoto de oito anos, é promovido a comandante do exército alemão e transferido para um campo de concentração. Ao contrário da agitada Berlim onde vivia, Bruno passa a descobrir o monótono ambiente da nova residência e se vê intrigado a pensar em quem são, afinal de contas, aquelas pessoas de pijamas listrados que vivem do outro lado da cerca.

Bruno acenou e saiu cabisbaixo, sabendo que “certas pessoas” era uma expressão que os adultos usavam para “pai”, e que ele próprio não podia usar.

Ele foi vagarosamente até as escadas, segurando o corrimão com uma das mãos, e se perguntou se a casa nova, onde seria o novo trabalho, tinha um corrimão tão bom de escorregar quanto aquela. Pois o corrimão daquela casa vinha desde o andar mais alto – começava do lado de fora do pequeno quarto onde, se ele ficasse na ponta dos pés e segurasse firme no parapeito da janela, era possível ver até o outro lado de Berlim – até o piso térreo, bem diante das duas enormes portas de carvalho. E o que Bruno mais gostava de fazer era subir a bordo do corrimão no andar de cima e escorregar pela casa toda, fazendo barulho de vento ao longo do caminho.

Descia do andar de cima até o próximo, onde estavam o quarto do pai e da mãe e o grande banheiro, e onde ele não deveria ficar de maneira nenhuma.

Descia até o próximo andar, onde ficavam o seu próprio quarto e o de Gretel e o banheiro menor, que ele deveria utilizar com freqüência maior do que de fato fazia.

Descia até o térreo, onde caía do final do corrimão e tinha de aterrissar equilibrado nos dois pés, ou então perdia cinco pontos e tinha de começar tudo outra vez.

Leia o primeiro capítulo no site da VEJA.

John Boyne, “O menino do pijama listrado”, Companhia das Letras, 2007

→ Leave a CommentCategorias: Livros
Etiquetado: , , ,

Chesterton e o mistério

10 10UTC Junho 10UTC 2009 · Deixe um comentário

Enquanto se mantém o mistério se tem saúde; quando se destrói o mistério se cria a morbidez. O homem comum sempre foi sadio porque o homem comum sempre foi um místico. Ele aceitou a penumbra. Ele sempre teve um pé na terra e outro num país encantado. Ele sempre se manteve livre para duvidar de seus deuses; mas, ao contrário do agnóstico de hoje, livre também para acreditar neles. Ele sempre cuidou mais da verdade do que da coerência. Se via duas verdades que pareciam contradizer-se, ele tomava as duas juntamente com a contradição. Sua visão espiritual é estereoscópica, como a visão física: ele vê duas imagens simultâneas diferentes e, contudo, exerga muito melhor por isso mesmo.

Assim, ele sempre acreditou que existia isso que se chama de destino, mas também isso que se chama de livre-arbítrio. Assim, ele acreditava que as crianças eram de fato o reino dos céus, mas, apesar disso, deviam obedecer ao reino da terra. Ele admirava a juventude por ela ser jovem e a velhice por não o ser. É exatamente esse equilíbro de aparentes contradições que tem sido a causa de toda a vivacidade do homem sadio. Todo o segredo do misticismo é este: que o homem pode compreender tudo com a ajuda daquilo que não compreende. O lógico mórbido procura tornar lúcido e consegue tornar tudo misterioso. O místico permite que uma coisa seja mística, e todo o resto se torna lúcido.

- G.K. Chesterton, “Ortodoxia”, Mundo Cristão, 2007.

Fonte: Livros só mudam pessoas, post de Thyago Coimbra.

→ Leave a CommentCategorias: Frases e citações
Etiquetado: ,

De mãos dadas

8 08UTC Junho 08UTC 2009 · Deixe um comentário

por Luiz Henrique Matos

De mãos dadas

De mãos dadas

Se tem algo que eu gosto é segurar a sua mão. Não importa a ocasião, ao atravessar a rua, sentados nos sofá, ajudando a fazer força enquanto ela usa o banheiro ou simplesmente para dirigi-la em alguma situação. Aquela mãozinha envolvida na minha me ajuda a ter a dimensão da sua dependência – e o meu desejo de sempre garantir que ela saiba disso. Os dedos finos, a pele delicada, a palma da mão morna e úmida de suor, a minha certeza de ter o que é meu por herança.

Por uma mão ela arrasta uma boneca, um copo de leite, um lápis de cor com a ponta gasta. Por outra ela se arrasta, segue cegamente os passos daquele em quem confia e lhe dirigirá os passos.

Não preciso dizer que ela tem crescido mais rápido do que eu gostaria. Daqui a pouco ela será maior do que eu, mais inteligente, independente e, apesar de mais magra – isso não é nada difícil dado o meu último indicador na balança da farmácia – eu já não conseguirei carregá-la no colo.Mas não importa o quanto ela cresça, acho que sempre terei a sensação de que sua mão cabe dentro da minha e que, desse jeito, continuarei sendo o “papá” a quem ela recorre quando precisa de algo, quando deseja brincar, quando quer descansar.

Gosto de não precisar ouvi-la dizer nada e apenas erguer os braços com a mão espalmada tendo a certeza de que eu retribuirei. Gosto de sentir os dedinhos se entrelaçando aos meus, me dando a sensação tátil do mesmo sangue que somos. Não gosto de vê-la com medo, chorando, mas corro e me precipito em segurá-la, mãos erguidas em minha direção, para que saiba que sempre, sempre estarei ali para ampará-la. Faço tudo para estar.

Imaginar minha cria sozinha, abandonada à sorte, provas e desafios que esse mundo descarrega sobre nós não é dos sentimentos mais agradáveis. Chego a pensar que gostaria de tê-la nos braços o tempo todo. Mas sei que não é possível e, por hora, imagino também que não é o mais apropriado. Ela precisa viver, vai precisar aprender, vai ter que se virar sozinha. O coração debate com a razão e preciso aprender, eu, que o melhor a ser feito é o que é melhor pra ela. Dura realidade.

Ela já toma algumas decisões sozinha. Já fala por si. Ela já sabe andar em alguns lugares que antes lhe pareciam difíceis. Agora ela pedala o velotrol e já não depende de mim para empurrá-la. Eu estufo peito, coruja, ela tem aprendido coisas comigo – e eu ainda não me toquei que “velotrol” é uma palavra que morreu na minha infância e muito provavelmente ela nunca usará na vida!

Mas ainda tenho coisas a ensinar e minha alegria é estar com ela para isso. Caminhando de mãos dadas, fico feliz em poder andar devagar, no seu ritmo e limitações, para lhe mostrar o caminho que eu vejo à frente. Falo da forma mais simples possível para garantir que ela me entenda. Conto histórias e imagino coisas para que o conhecimento lhe seja algo claro.

Quero percorrer ao seu lado as trilhas que já conheço. Quero que sua infância seja recheada das brincadeiras, da ingenuidade e da inocência que eu acho que teve a minha. Quero que saiba que ao contrario do que argumenta um dos seus tios, torcer para o São Paulo é definitivamente uma boa escolha. Quero que ela conheça o Deus amoroso que eu conheço e o ame mais do que eu. Quero aprender tabuada, logaritmos, pi, raiz quadrada e alguma coisa de física – que nunca me entraram na mente – para poder ajudá-la a estudar nas provas do colégio. Quero, a contragosto e sem a mínima pressa (fique isso bem claro e documentado), poder conduzi-la até o altar ao encontro do homem de sua vida e que se realizem, que descubram juntos o amor e a razão do que os dois nasceram para ser: um. Quero repartir minhas experiências e aprendizados para poupar-lhe esforço e sofrimento, mesmo sabendo que, assim como eu fiz um dia, ela vai me achar um tolo antiquado e ignorar a maioria desses conselhos – e eu não me sentirei vingado quando, depois de se dar conta, ela falar que eu tinha razão. Quero mesmo que ela tenha mais razão do que eu, porque isso também mostrará que foi mais longe do que o pai.

E só quero ainda, assim de forma egoísta mesmo, que ela saiba de tudo isso e quando afinal descobrir que não sou tão grande, forte, inteligente quanto pensou a vida toda e então souber que o herói de sua infância é um pobre homem falível e cheio de pecados, que ainda assim se sinta orgulhosa em me chamar de pai. E que eu estarei sempre ali.

É irônico, talvez, saber que um filho não conhece a fraqueza de seu pai até que os anos passem e finalmente os corações se encarem e tudo venha a tona.

É irônico, certamente, depois de alguns anos de convivência mais íntima, saber que o meu Pai, o Deus da minha vida, perfeito e soberano, tem justamente no amor a sua fraqueza. E sensibilizado pelos corações quebrantados, pelas atitudes rebeldes, pelo choro desesperado, pela rendição cega e confiante dos filhos, ele se move, ele se rende, se entrega, encarna, perdoa, carrega, refaz. Ele estende a mão.

O Deus amor é Pai.

E, bem, talvez ele não seja são-paulino, talvez nunca me explique pra que raios servem os logaritmos, talvez tenha me deixado só por um tempo para eu aprender a andar sozinho. Mas, quando estendo minha mão espalmada, morna e úmida de suor para o alto e diante dele estou… arrependido, dependente, grato, resignado, com medo ou simplesmente estou, posso sentir a sua mão, forte e também delicada, e os dedos entrelaçados aos meus me dando a segurança de sua presença e a afirmação eterna de que sou filho, fruto do seu sangue.

→ Leave a CommentCategorias: Crônicas
Etiquetado: , , , ,

Liberdade

8 08UTC Junho 08UTC 2009 · Deixe um comentário

por Luiz Henrique Matos

O mundo não entende. As pessoas julgam que o render-se a Cristo as aprisionará a uma espécie de doutrina que regerá suas vidas e lhes podará as escolhas. Mas esse é o grande engano, porque a verdade está justamente no oposto, no fato de que só em Jesus Cristo é que podemos desfrutar a plena liberdade que nos livra da escravidão em que vivemos.

Ele é a liberdade, o amor, a esperança, a paz, o caminho, a verdade e a vida que nossas almas anseiam. E Deus “humaniza” seu plano em seu filho para que possamos compreender o quanto esse amor é real e essa vida é possível. Deus resolve viver na Terra para mostrar na imagem da nossa visão tão limitada, seu plano e seu sentimento. E sua crucificação é a prova do preço que está disposto a pagar para resgatar esse relacionamento e, se assim concordarmos, dar-nos a liberdade eterna e poder nos chamar de filhos.

Afinal, quando alguém morre no lugar de outra pessoa, o objetivo só pode ser o de salvar sua vida.

→ Leave a CommentCategorias: Reflexões
Etiquetado: , , , , ,

O que há de errado com a nossa espiritualidade?

6 06UTC Junho 06UTC 2009 · Deixe um comentário

Na monumental obra escrita por Marcos, o esteta aparece ao lado do asceta. É o “sim” de Deus em Jesus. Pedro, Tiago e João o vêem transfigurado na montanha, em uma nuvem brilhante, na companhia de Moisés e Elias. Os discípulos viram a beleza da glória do Senhor, e é ela que acabamos por experimentar ao nos aproximarmos do Pai. Há sempre um componente estético forte na verdadeira teologia espiritual. Subir ao monte com Jesus significa deparar-se com uma beleza de tirar o fôlego. Permanecer na companhia dele é contemplar sua glória e escutar a confirmação divina da revelação nele. Aqui está o segredo do Jesus transfigurado. Ele é a forma da revelação, e a luz não cai do alto sobre essa forma, nem vem de fora – antes, brota de seu interior. A única reação adequada a essa luz é manter os olhos abertos para observar o que está sendo iluminado: adoração. 

Trecho do texto “O que há de errado com a nossa espiritualidade?” de Eugene Peterson publicado no Cristianismo Hoje. Leia a íntegra aqui.

→ Leave a CommentCategorias: Frases e citações
Etiquetado: , , , ,

Uma canção para a sexta-feira

5 05UTC Junho 05UTC 2009 · Deixe um comentário

Em quatro diferentes interpretações, Mahalia Jackson, Elvis Presley, Aretha Franklin e Yolanda Adams cantam o clássico hino Amazing Grace de John Newton. Eu fico na dúvida entre Mahalia e Yolanda…

O post de hoje é inspirado no filme de mesmo nome lançado este ano. No Brasil, não chegou a passar nos cinemas, mas já está nas locadoras com o título traduzido para Jornada pela Liberdade.

Bom fim de semana.

→ Leave a CommentCategorias: Frases e citações
Etiquetado: ,

Não passe a vida tentando mudar os outros

5 05UTC Junho 05UTC 2009 · Deixe um comentário

Não passe a vida tentando mudar os outros, seu cônjuge, seus filhos, seus amigos, seu chefe ou colegas no trabalho. Deixe isso nas mãos de Deus, à mercê da graça. Conviva a partir da gratuidade: paciência nos processos, perdão, mais amor, entrega e servidão em vez de cobranças, exigências e condições para a relação. Aprenda a se relacionar com elas do jeito que são. Não tente fazer novas as pessoas. Faça novos acordos. Você vai ver como sua vida vai mudar. Você também. E os outros também.”
- Ed René Kivitz, em Outra Espiritualidade

Fonte: Canto do Jó, o blog do caríssimo Jorge Oliveira

→ Leave a CommentCategorias: Frases e citações
Etiquetado: ,

Eu pedi prosperidade…

5 05UTC Junho 05UTC 2009 · Deixe um comentário

Eu pedi prosperidade… Deus me deu cérebro e músculos para trabalhar.
- Madre Teresa de Calcutá

Fonte: Pavablog

→ Leave a CommentCategorias: Frases e citações
Etiquetado: , ,

Cenas domesticas: Co-piloto

4 04UTC Junho 04UTC 2009 · 2 Comentários

por Luiz Henrique Matos

Já era tarde. Quase dez. Hora de criança estar na cama, já diriam várias pessoas. Mas nós ainda estávamos na rua, no carro, a família toda voltando do shopping. Adultos na frente, em silêncio, acreditando no sobrenatural poder sonífero que os automóveis exercem sobre as crianças e desejando que a nossa já estivesse dormindo para ainda tentar ver um filme qualquer no DVD (é incrível como nosso critério de filme bom muda depois da paternidade – até o Van Damme vira um clássico, raridade mesmo).

Finalmente, já na garagem do prédio, duas ou três curvas feitas suavemente e estacionamos o carro. Música desligada, freio de mão puxado, cintos soltos correndo de volta para o buraco-negro dos cintos de segurança e lá de trás uma voz desponta no silêncio:

- Ahh, cheguei!

→ 2 ComentáriosCategorias: Crônicas
Etiquetado: , , ,

Arrependimento

1 01UTC Junho 01UTC 2009 · Deixe um comentário

por Luiz Henrique Matos

Deus não é como nós. Ele não se ofende, não se ressente, não fica com raiva quando traímos sua confiança. Ele vê o nosso erro e engole seco, sente a dor do pai que não quer ver seu filho caminhando em direção à própria destruição. Ele chora em silêncio, sozinho e lamenta.

“Ahh, meu filho… como eu gostaria que você não tivesse feito isso.”

E às vezes até esperamos que ele nos castigue. Queremos uma bronca dura, um tapa na cara, uma indulgência algo que nos faça pagar pelo erro que cometemos e, de alguma forma, nos alivie o remorso.

Mas ele não faz. Ele é sempre melhor do que nós. O amor é sua essência e ele se compadece, ele perdoa, estende os braços esperando para nos abrigar, morre em nosso lugar para nos dar de volta a vida. Ele paga o preço da nossa culpa.

E isso dói. Dói o sentimento de remorso, a afiada lâmina da culpa nos rasgando por dentro, a humilhação do nosso orgulho ferido. Como é amargo o gosto da consciência do erro, A cruz de Cristo parece uma luz ofuscante demais, para a qual não conseguimos mais olhar.

“Pai, se for possível, me perdoe! Errei outra vez.”

Então, mais uma vez ele chora. Mas de alegria incompreensível. Então, o pai faz festa para o filho perdido que regressa. Ele não quer nada em troca, ele só nos quer de volta. Ele limpa a casca de sujeira que nos envolve, nos dá água fresca e comida quente, prepara um descanso numa cama macia. E abrigados em seus braços, ele ainda nos chama de amados, ele cala a nossa voz e sussurra sua canção de ninar

“Não diga, não diga nada… Minha graça, minha graça é o que basta.”

Sentado em sua imensa cadeira de balanço, o pai está feliz vendo sua criança que agora dorme. Porque o filho que caminhava distante e perdido em direção à morte voltou para casa.

E os anjos silenciam e observam. O exército do céu cerca a singela cena, são testemunhas do amor vivo, são os olhos eternos contemplando a razão de o mundo ter sido criado: o homem em sua condição de filho dependente e o Pai… o Deus que só quer ser amado.

→ Leave a CommentCategorias: Crônicas
Etiquetado: , , , ,

Cenas domésticas – Mestre-cuca

27 27UTC Maio 27UTC 2009 · 1 Comentário

por Luiz Henrique Matos

No parquinho, ela brincava na casinha de plástico. Abre daqui, fecha dali e, de repente, uma revoada de crianças barulhentas (acho que isso é redundância, não sei não) passa correndo pelo lugar. Ela observa pela janela da barraca, atenta, séria, entretida aos movimentos da molecada. E quando a turma ameaça correr em direção à saída, ela pára na porta e grita:

- Ei, venham papá, crianças!

:)

→ 1 ComentárioCategorias: Crônicas
Etiquetado: , ,

Trilhas, obstáculos e uma analogia para a vida cristã

27 27UTC Maio 27UTC 2009 · Deixe um comentário

Seguindo a linha de estudos postados (desde que descobri que posso fazer upload de arquivos aqui no blog), aqui está mais um que a Manú e eu discutimos em casa, junto com nosso pequeno grupo.

Trilhas, obstáculos e uma analogia para a vida cristã.

Como todo estudo que escrevo, esse também está cheio de clichês e frases prontas. Mas quem foi que disse que clichês e frases prontas não são verdades importantes de se dizer de vez em quando?

Leia também: O tempo de Deus e suas promessas (estudo postado anteriormente).

→ Leave a CommentCategorias: Estudos
Etiquetado: , ,

O outro lado

27 27UTC Maio 27UTC 2009 · Deixe um comentário

Barack Obama - Notre Dame University

Barack Obama - Notre Dame University

Como permanecemos firmes em nossos princípios e lutamos pelo que consideramos correto sem atingir aqueles que, do outro lado, têm suas convicções igualmente firmes?

Trecho do discurso de Barack Obama na Universidade de Notre Dame, citado por Tony Bellotto em seu blog no site da Veja. Recomendo ler a íntegra do post.

→ Leave a CommentCategorias: Frases e citações
Etiquetado: , , ,

Se o mundo tivesse 100 pessoas…

26 26UTC Maio 26UTC 2009 · Deixe um comentário

Um breve vídeo para refletir (e fazer alguma coisa, pelamordeDeus…). Premiado em Cannes em 2001.

Me fez lembrar o texto de Mentor Muniz Neto, que publiquei aqui no ano passado: “Para salvar da fome quem já estava de barriga cheia”.

→ Leave a CommentCategorias: Frases e citações
Etiquetado: , , ,