O caminho para se conhecer Deus? Comece eliminando a religião.
Conhecendo a Deus
25/11/2009 · Deixe um comentário
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Uma foto para retomar a rotina
25/11/2009 · Deixe um comentário
De repente você sai do seu estado de conforto e começa a correr. Correr muito. É assim, em geral, quando você leva um susto, quando está sendo perseguido por ladrões e quando volta de férias e a rotina te atropela outra vez.
Bom, se em alguns casos isso é pode ser desesperador – nunca levei um susto tão grande tão pouco fui perseguido por ladrões, mas acabo de voltar de férias -, em outros é um conforto. No meu caso, entendo esse conforto por estar aqui e voltar a escrever.
Fim das férias. Assim pretendo.
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A conciliação entre cristianismo e evolução
25/11/2009 · Deixe um comentário
Darwin se incomodava ao ver o que identificava como sinais de crueldade na natureza: gatos que torturavam ratos antes de comê-los, ou vespas cujas larvas eram programadas para se alimentar dos órgãos internos de seu hospedeiro na ordem exata para fazê-lo viver o máximo possível enquanto era devorado. Ele também identificava algumas coisas fora do lugar: na América do Sul, Darwin viu emas e se perguntava qual era o ponto de uma ave que não voava. Se Deus fez tudo isso exatamente desse jeito, além de cruel, Ele seria um mau designer. Agora, se gatos torturadores, vespas e emas eram produto da seleção natural e não da vontade direta divina, Deus podia permanecer como o autor das leis naturais, que de vez em quando resultam em algo sublime, e de vez em quando levam a “falhas de design”.
Trecho do artigo “A conciliação possível entre cristianismo e evolução”, escrito por Márcio Campos no blog Tubo de Ensaio. Para ler a íntegra do texto, clique aqui.
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Uma foto só para não perder o costume
30/10/2009 · 2 Comentários
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Férias!
30/10/2009 · 4 Comentários
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Transportando tesouros e atropelando cachorros – os heróis da vida pequena
25/10/2009 · Deixe um comentário
por Luiz Henrique Matos
Atropelei um cachorro na estrada. Foi tudo tão rápido, estava escuro, ele correu para o meio da pista e parou diante do carro, uns cinco metros à frente. Eu nem consegui pisar no freio. Lembro do olhar estático do pobre animal paralisado pela luz alta do farol e em seguida o impacto seco no pára-choque. Vi, depois, a sombra escura e morta no asfalto pelo retrovisor, cada vez mais distante, pequena, até sumir. Sem nada que pudesse fazer, chorei e segui viagem.
Voltávamos do interior do estado, onde visitamos alguns familiares e eu dirigia por uma estrada paralela enquanto as duas dormiam no banco de trás.
E pensando no momento que acabava de viver, me preocupei com algo mais que pudesse nos acontecer. Viajamos por essas estradas tantas vezes e, é bem verdade, não tenho noção real dos riscos que corremos. Olhei de relance para as duas, mãe e filha, que dormiam desconfortáveis e temi pela responsabilidade de levá-las para casa em segurança.
Eu carregava um tesouro precioso. Confiadas à minha direção, estavam as coisas mais importantes que tenho nessa terra e, bem, eu peno em admitir, mas não sou dos melhores motoristas que conheço – e isso já é um auto-elogio – o que torna o desafio um tanto maior.
Exagerando outra vez nas analogias, eu me sinto como um daqueles guerreiros de histórias épicas que saem em cruzadas pela terra com a missão de transportar algum tesouro precioso para o rei. Levam consigo uma carta de recomendação, viajam em nome da coroa e estão dispostos a abrir mão da própria vida em favor de algo que não lhes pertence mas pelo qual, não se sabe a razão, são apaixonados.
Mas, peno em dizer, eu não sou um guerreiro habilidoso. Não manejo bem uma espada, não sei montar cavalos e meu reflexo não é apurado. O fato é que às vezes eu falho nessa missão. Piso feio na bola. Deixo cair, desprotejo, penso mais em mim mesmo do que nelas. Mas, apesar de minhas limitações, a carta do rei sempre me faz lembrar a que vim. Seu olhar não me deixa esquecer que são suas filhas que estão sob minha responsabilidade.
Não, não pense que isso é um desabafo arrependido. Pelo justo contrário, eis aqui meu voto de fidelidade, minha alegria, o reconhecimento, afinal, do que entendo por realização.
Descobri que longe de ser um fardo, essa missão consiste em minha grande alegria. E não é que a minha visão seja limitada ou que me falte ambição, eu só notei que tenho em casa o tesouro mais nobre que jamais poderia sonhar conquistar. E empenhar a própria vida em favor desse prêmio, talvez seja o mais heróico dos gestos que poderei ostentar.
O herói da vida pequena. A refeição em casa. As férias em família. O tempo juntos sentados no sofá da sala vendo o mesmo desenho pela trigésima vez. As brincadeiras simples na rua. O cineminha com pipoca de sexta à noite com a eterna namorada. Deus, a família, os amigos. As melhores coisas da vida não nos custam sequer um centavo.
Que feito pode ser mais nobre do que dar vida a um ser humano, guiar seus primeiros passos e conduzi-lo em sua existência para que um dia seja alguém melhor do que eu jamais sonhei ser? O que pode ser melhor do que amar uma linda mulher e empenhar a vida em protegê-la, sustentá-la e lhe ser fiel? Que massagem no ego pode ser melhor do que descobrir que duas lindas garotas te acham o cara mais bonito, forte e bacana do planeta, apesar da barriga proeminente, da barba por fazer e da toalha molhada largada sobre a cama (tá bom, eu admito que exagerei no bonito, forte e bacana)? Que honra maior em ver multiplicar o fruto desse amor (leia-se netos) e acompanhá-los crescendo saudáveis, santos, unidos e correndo pelo quintal da nossa casa?
Bom, parece simples, mas não é simplório. Parece pouco nobre, talvez porque seja tão comum a todos. Parece não dar nenhuma fama e reconhecimento público, e realmente não dá mesmo. Mas eu acredito sinceramente que nada pode fazer um homem mais feliz.
Penso nisso tudo agora, seguindo de volta pra casa, para que um dia eu não precise ver as coisas importantes que deixei para trás. Para que a vida que eu sempre quis não seja atropelada pelas escolhas erradas que fiz, como uma sombra na escuridão, pequena e distante no retrovisor.
Eu sigo viagem. Eu, meu cavalo, a carta do Rei me incumbindo da nobre tarefa de ser pai e um tesouro incalculável em meus braços. Sim, essa é a grande missão do guerreiro. Habilidoso ou não, sigo satisfeito em saber que já carrego comigo o grande prêmio da vida.
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Cenas domésticas: Na sala do presidente
19/10/2009 · Deixe um comentário
- Filha, você quer ir trabalhar com o papai hoje?
Tive que levar a Nina pro escritório. Além da grandiosa, epopéica, dificílima e quase impossível tarefa de pegá-la na escola, levar pra casa, dar o almoço e trocar de roupa, ainda me restava o desafio de carregar minha filha para o trabalho num dia em que minha esposa estaria presa em reuniões e não poderia estar em casa mais cedo.
Confesso que eu tinha medo de como ela reagiria ao ambiente, mas, eu não imaginava, o primeiro martírio foi meu e não dela. É constrangedor notar como você passa a ser o foco número um de olhares estranhos te seguindo os passos ao entrar de mãos dadas com um serzinho cor-de-rosa e menos de um metro de altura no seu ambiente de trabalho.
Vencida a barreira dos olhares e comentários, chegamos à minha mesa, tirei os badulaques, brinquedos e.
Passada a via-crúcis paterna, tudo ótimo. Minha filha me enchia de orgulho desenhando com seu super-lápis-de-cor no verso de alguns relatórios confidenciais que eu tinha que analisar. Ganhou mimos, saiu com uma colega para ganhar presentes na redação de revistas infantis, voltou feliz da vida com seu “kit das princesas” e perdeu um pouco a inibição do início de já conversava abertamente com as pessoas.
Até que…
Até que, o presidente da empresa entrou em nossa sala. Peraí, você leu direito isso aí? Eu disse: até que o PRESIDENTE da empresa entrou na sala! E minha filha ficou olhando aquela figura engravatada caminhar na nossa direção.
- Opa! Quem é essa aí? – ele disse sorrindo (bom, o fato de seu super-chefe sorrir não alivia em nada a tensão do momento).
- É a chefe nova – eu disse e, em seguida, já me arrependi (bom, o fato de você fazer uma brincadeira sem graça enquanto está diante do seu super-chefe demonstra que você nunca pode confiar em si mesmo diante de situações constrangedoras).
- Oi mocinha! Como você chama?
- Nina – ufa, ela respondeu!
- Que bonitinha…
Então ela olhou para as mãos dele, fitou nos olhos e soltou:
- Que isso aí na sua mão?
Eu já nem respirava mais.
- O quê? Ahh, você gosta de gibis? Esse aqui é o Pernalonga, conhece? – bem, antes que você pense que presidentes de grandes empresas andam com revistas em quadrinhos pelos corredores ao invés de relatórios e planilhas complexas, acho importante dizer que eu trabalho numa editora.
- Deixa eu ver?
- Olha aqui ó – ele ainda sorria (e um filme com a retrospectiva da minha carreira passava em minha mente em alta velocidade).
Então ele perguntou:
- Nina, você gosta de balas?
Ela, como filha educada que é, olhou para mim e ficou esperando a resposta. Ele, em sei lá qual condição, também me olhou e esperava uma resposta. E então, pela primeira e última vez na minha vida eu me vi dando alguma autorização para o presidente.
- Sim, pode dar – eu disse num misto de pavor e um pingo de satisfação.
- Vem comigo, Nina. Dá a mão pro tio.
Ela saiu pelo corredor de mãos dadas com ele. O tempo passava e eu não conseguia pensar em nada enquanto olhava fixamente pela porta por onde ela saiu.
Cinco, dez, 20 ou 190 minutos depois ela voltou. Da sala do presidente, ela chegou com as mãos cheias de balas 7Belo:
- Papai, papai! Olha!
- Eu falei pra ela pegar a balinha e ela me perguntou se “pode pegar duas”. Aí eu mandei ela encher a mão – ele me disse, ainda sorrindo (e isso já começava a me aliviar) – vai lá, Nina. Vai lá com seu pai.
- Puxa, obrigado Sr. Fulano… e, filha, agradeça o tio.
- Bligada!
- Ô, que nada. Tchau.
Eu me recuperava de um quase infarto e ela já enchia boca com duas balas ao mesmo tempo. Eu sei que ela nem tem dimensão da experiência que teve e é isso que mais me apaixona nas crianças. A ousadia livre de não ter sua opinião abalada pela posição das pessoas e apenas aceitá-las sem barreiras se elas lhe parecem sinceras e amigáveis (é claro que um pacotinho de 7Belo influencia muito nessa reciprocidade).
Minutos depois, um conference call acontecia na mesa ao lado e ela, já totalmente amiga de todo mundo, falava pelos cotovelos.
- Nina, shhhhiu… silêncio, filha!
Ela olhou para os lados, sondou as pessoas e perguntou sussurrando:
- Quem ali tá durmindo?
Meu telefone tocou. Era minha chefe. Eu, numa ligação mega-ultra-hiper-urgente tentava assimilar as decisões que ela me pedia para tomar enquanto prestava atenção na minha filha fugindo pelo escritório em direção à saída.
Um homem vinha pelo corredor e a pegou no colo. Primeira sensação: alívio (ela estava a salvo e eu poderia me concentrar no telefonema). Segunda sensação: dúvida (quem era o cara, afinal?). Terceira sensação: desespero (era o diretor de RH!).
O foco necessário na conversa telefônica me impede de analisar o que a Nina e ele conversaram naqueles minutos, mas eu confesso que ainda prefiro não saber o que se passou.
Antes de encerrar a ligação, o diretor já havia saído do local, a Nina estava sentada outra vez, de volta aos desenhos e às Princesas.
Terminei o que precisava fazer, enviei alguns últimos emails e desliguei o computador. Recolhi as coisinhas multicoloridas que enfeitavam minha mesa e enquanto a Nina se aprontava (e chupava a oitava balinha 7Belo), fiquei pensando nas duas novas amizades da minha filha, na visita a sós na sala do presidente, no cafuné recebido pelo diretor de RH e o agrado geral causado com a equipe.
- É, filha, em três horas por aqui você conquistou o que seu pai nunca conseguiu em sete anos de empresa.
(crônica para o Frases de Crianças)
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Cenas domésticas: trapalhadas paternas
16/10/2009 · Deixe um comentário
por Luiz Henrique Matos
Hoje minha esposa precisou sair mais cedo de casa e eu fiquei com a incumbência de acordar, vestir, dar o Nescau e levar a Nina para a escola – bem, é evidente que ela deixou cada peça de roupa devidamente separada e o lanchinho pronto sobre a pia, para eu não esquecer.
- Henrique… Henrique? Henrique!?
- Ahn? Oi…
- Amor, estou saindo pro trabalho mais cedo. Acorde e preste bem atenção.
- Tá.
E até agora uma sucessão de palavras fora de ordem e tarefas desconexas ainda tentam encontrar algum sentido na minha mente.
Acordei atrasado, me aprontei, ajeitei as coisas, me atrapalhei, acordei a Nina, segui o passo-a-passo matinal e fiquei tentando convencer minha filha de dois anos de que ir à escola é mais legal do que parquinho, desenho na TV, casa da vovó e brincadeira com o priminho.
Finalmente, convencida e com a mochila nas costas, saímos do apartamento e esperávamos pelo elevador quando ela se deu conta de que alguma coisa estava diferente na rotina dela:
- Cadê a mamãe?
- A mamãe já foi para o trabalho, filha. Hoje ela tinha que ir mais cedo.
Ela pensou, olhou para o elevador, para a porta e, espantada, exclamou:
- Nóis tá sozinho!?
Pois é, querida, seu pai conseguiu…
(post para o Frases de crianças)
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In Principio ert Verbum
08/10/2009 · Deixe um comentário
In Principio ert Verbum. Pense no Gênesis. Pense em como era antes de o mundo ser criado. Não havia nada. Diz a Bíblia: “Era a terra sem forma e vazia; trevas cobriam a face do abismo”. E era escuro, e não havia nada. Não havia montanhas, nenhuma árvore, nenhum rio. Não havia nada. Mas havia trevas por tudo ao redor, e nas trevas algo aconteceu. Algo aconteceu! Houve um único som. Nada o produziu, mas lá estava ele. E não havia ninguém para ouvi-lo, mas lá estava ele. Surgiu nas trevas, pequeno e baixo, em si mesmo algo diminuto – como um único sopro, como vento surgindo. Sim, como o sussurro do vento surgindo lentamente e se apagando no começo da manhã. Mas não havia vento algum. Havia apenas um som, mínimo e suave. Em si mesmo era algo diminuto, apenas a menor semente de som – mas tomou conta das trevas, e houve luz. Tomou conta da quietude, e houve movimento para sempre. Tomou conta do silêncio, e houve som. Era em si mesmo algo diminuto, um único som, uma palavra – uma palavra que se desprendera do centro mais escuro da noite e fora solta no terrível vazio, para sempre, para todo o sempre. E era em si mesma algo diminuto. Mal aconteceu, mas aconteceu, e tudo começou.
- J. B. B. Tosamah
Trecho de sermão citado por Diane Glancy em “Perspectivas da narrativa escrita”, capítulo do livro “Muito mais que palavras” de Philip Yancey e James Calvin Schaap.
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Devoção (fotos)
08/10/2009 · Deixe um comentário
Uma pausa no meio da semana para uma recomendação especial.
Recomendo uma visita à “exposição” virtual Devoção. Capturadas por Fahirata, as fotos mostram pessoas expressando suas crenças em momentos de culto.
Aqui, o link para álbum (no Flickr – não inseri imagens no post porque as fotos estão protegidas por direitos autorais).

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Um Deus, diversos cultos
05/10/2009 · 1 Comentário
“Irmão! Você diz que há uma só maneira de adorar e servir ao Grande Espírito. Se há somente uma religião, por que os brancos discordam tanto sobre ela? Por que não estão todos de acordo, uma vez que vocês todos sabem ler o livro? [...]” (Jaqueta Vermelha, índio Sêneca, 1756-1830).
Atrevo-me a concordar com o Jaqueta Vermelha – ainda que esse me pareça mais o apelido de um motociclista do que nome de líder indígena – e fixo o pensamento especialmente sobre um detalhe: existe apenas um Deus, mas são muitas as formas de culto.
E se tivéssemos isso em mente, aprenderíamos a respeitar e não julgar a busca individual de cada um e as diferentes comunidades que se reúnem para cultuar a Deus – isso vale, num primeiro nível, para outras denominações cristãs e, em outro aspecto mais profundo, a outras culturas e religiões que ignoramos.
É importante ter isso em vista também ao pensarmos no conceito de “salvação” e nas diferentes iniciativas de evangelização entre os cristãos. Cientes de que Deus é um só, mas que são inúmeros os jeitos de nos relacionarmos com ele, deveríamos nos dar conta de que a forma ou o procedimento são muito superficiais e que central é apresentar o Deus único e verdadeiro tal como ele é.
Precisamos nos preocupar mais em falar sobre o “quem” (Deus) às pessoas – é isso, no fundo, que todo ser humano procura e precisa, conscientemente ou não – do que “como”, “por quê” e “onde” que são as imposições da religião. Estamos ligados demais nos assuntos periféricos da fé e nos esquecemos do ponto central, a essência, que é o próprio Deus.
E ele se revela integralmente na pessoa de Jesus Cristo. Ele é a face de Deus que devemos pregar e refletir. Seu caráter, seu amor, sentimentos, palavras, sua história de vida, morte e ressurreição. Isso é fundamentalmente mais importante do que meia-dúzia de passos para a salvação ou as dez regras básicas de sei-lá-o-quê que as igrejas forçam em seus estatutos – essa é a cegueira farisaica da qual Jesus tentou nos curar.
Jesus Cristo é o centro, o caminho, a verdade e a vida. Se formos como ele, as pessoas serão atraídas por ele.
“No essencial, unidade; Nas opiniões, liberdade; Em todas as coisas, o amor.” (Rupertus Maldenius).
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O centurião
22/09/2009 · 1 Comentário
por Luiz Henrique Matos
Cafarnaum, Galiléia – Ele sabia que aquilo soaria absurdo, mas já não tinha alternativas. Estava em jogo sua reputação, seu nome, a posição na hierarquia do exército romano. Mas a força de seus sentimentos era maior do que o orgulho e o patriotismo. Seu empregado mais estimado estava à beira da morte e aquele a quem tantos chamavam de Messias vinha passando pela cidade. Constrangido, clamou pelo favor de seus amigos judeus. Eles não haveriam de lhe negar o pedido, sabiam de sua compaixão por seus valores e sua crença. Os homens atenderam, foram ao encontro de Jesus e insistentemente lhe pediram para que fosse até a casa do centurião e curasse seu servo, prestes a morrer. Jesus se compadeceu e atendeu sua súplica. O homem, em sua casa, angustiava-se: “O que eu fiz? O que eu fiz? Quem sou eu para pedir ao Filho de Deus para que cure meu servo?”. O mestre ainda caminhava em direção à residência do centurião quando outros amigos lhe vieram ao encontro. Traziam um recado: “Senhor, não te incomodes, pois não mereço receber-te debaixo do meu teto. Por isso, nem me considerei digno de ir ao teu encontro. Mas dize uma palavra, e o meu servo será curado”. Jesus parou, refletiu, admirou-se: “Nem em Israel encontrei tamanha fé!”. O centurião, um estrangeiro, que não era judeu e tão pouco membro daquele sistema de crenças, em seu desespero, em sua compaixão pela dor de seu empregado, ele entendeu a verdade sobre Deus, intercessão, fé e humildade. Era um homem justo, de bom coração e isso era o que importava. Quando os amigos voltaram para casa, o servo estava restabelecido.
(Lucas 7:1-10)
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Momentos (Will Hoffman)
18/09/2009 · Deixe um comentário
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Jesus não tinha inimigos
16/09/2009 · 1 Comentário
por Luiz Henrique Matos
Quando ensinava nas sinagogas, pelos caminhos, pelas cidades ou à beira do mar, eles estavam ali. Sempre presentes, contrastavam com a multidão sedenta e admirada. Assistindo inconformados às manifestações e milagres, punham-se aqueles homens de roupas impecáveis, postura superior e a expressão fria da condenação nos olhos.
Eles o odiavam. Queriam entender as motivações por trás de tudo aquilo e revelar sua farsa. Queriam pegá-lo desprevenido, ter um motivo para expor sua fraqueza e a mentira de seu discurso. Mas nunca conseguiram.
Mas ele não, ele não os via como adversários. Jesus não tinha inimigos. Fariseus, escribas e sacerdotes não eram pedras em suas sandálias, atrapalhando a caminhada. Ao contrário, eles também eram o alvo de sua mensagem. Jesus os via como filhos que teimavam em não reconhecer suas próprias limitações.
Ele os conhecia, sabia quem eram, compreendia que seus corações estavam repletos de indagações a seu respeito. Eram como os tantos outros que o seguiam, mas ao ouvir sobre a graça, a esperança e o amor de Cristo, não podiam acreditar naquilo como verdade. Não era possível, isso contrariava toda a história e a base de suas crenças.
Jesus viveu por eles também. Ele sabia que não o aceitariam, mas ainda assim, ele os amou e consagrou-se por aqueles homens.
Envoltos pela superficialidade de seus cargos e posições, eles queriam calar-lhe a voz para que o “falso messias” não atrapalhasse seus costumes e tradições. Aquele Jesus, um incendiário social, precisava parar com seus milagres e o discurso que lhes tirava o domínio sobre o povo.
Eles o perseguiam. Eles o odiavam. Eles queriam entender. Tinham dúvidas. Tinham medo. Eles queriam matá-lo… Ele queria morrer por eles.
Eles desejavam tirar-lhe a vida, mas Jesus sonhava levá-los a viver uma nova vida ao seu lado.
E assim se cumpriu.
Na cruz, Jesus morreu pela humanidade toda. E ele morreu pelos fariseus que tramaram sua prisão, pelos sacerdotes judeus que lhe cuspiram no rosto, pelos guardas que o açoitaram, pela multidão que ainda há pouco o seguia fervorosa, mas que agora, com o mesmo fervor, o condenava aos brados: “crucifica!”.
E ainda ali, inabalável, ele amou.
“Porque Deus amou o mundo…” (João 3:16).
Amou porque essa era a sua condição, porque esse é o seu olhar pelos homens, esse era o presságio da história que ele já conhecia. Pendurado numa cruz, sangrando e ofegante, Deus não se ofendeu com os que lhe impuseram essa dor.
Não podemos saber o que lhe passou à mente. Nunca compreenderemos como é possível que isso tenha acontecido. Jamais seremos capazes de entregar nosso filho para morrer no lugar de pessoas que o perseguiram. Mas ao olhar seu gesto, pelo lampejo da história, pelo fato consumado, sabemos que esse amor nos comprou e que Deus, o próprio Criador, nos adotou como filhos.
Porque Deus não tem inimigos entre os homens. Ele não entra no campo de batalha para guerrear com sua criação. O Pai não olha nossas vestes, não se importa com nossa posição social ou opinião a seu respeito, porque isso não é condição para seu amor paterno e eterno. Nós somos o alvo do seu sacrifício.
“Deus nos amou primeiro.” (1 João 4:19).
Jesus ama os fariseus, os políticos, os ladrões, os ateus, as prostitutas, os publicanos, os pecadores, os discípulos, os traidores. Ele ama até os cristãos.
Deus não se importa com o que somos, ele se importa com quem somos. Ele não quer saber como estamos, ele quer que estejamos nele, guardados em seus braços, remidos por seu amor, lavados em sua pureza, atentos à sua voz, felizes, juntos, em Deus.
Nunca o entenderemos, não conseguimos racionalizar seu gesto, não sabemos como retribuir. Por isso, nos prostramos e adoramos.
“Deus é amor. Todo aquele que permanece no amor permanece em Deus, e Deus nele.” (1 João 4:16).
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A importância do cristianismo (C. S. Lewis)
16/09/2009 · Deixe um comentário
O cristianismo, se é falso, não tem nenhuma importância, e, se é verdade, tem infinita importância. O que ele não pode ser é de moderada importância.
C. S. Lewis, citado por Jorge Oliveira em seu Canto do Jó
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Julgando um livro pela capa (e pessoas por sua opção religiosa)
27/08/2009 · 1 Comentário
por Luiz Henrique Matos
Um dos meus passeios preferidos é freqüentar livrarias. A Manú, minha mulher, é quem sofre com esse hábito. Não importa onde estejamos, andando pela rua, passeando num shopping ou viajando, se eu vejo uma livraria, invariavelmente paro e gasto um tempo folheando, lendo as orelhas e levando algum exemplar na bagagem (se vou ler ou não, aí já é outro papo).
Mas, não bastasse, o hábito traz consigo um defeito: decido se vou comprar ou não um livro olhando para a capa. No fim das contas, contrario o velho ditado e a capa é o critério de desempate entre levar um ou outro.
Isso é terrível. Penso que essa é a razão de ainda não ter lido as “Confissões” de Santo Agostinho ou “Sobre a brevidade da vida” de Sêneca, que impressos naquelas capas duras, escuras e mal diagramados pela editora, ficam relegados à eterna possível próxima leitura na minha prateleira. Um pecado.
Mas o pior não pára por aí (bem, esse é um texto bastante previsível, imagino. Eu não gastaria o seu tempo falando sobre capas de livros). A coisa feia mesmo é que eu também classifico as pessoas pelos rótulos que estampam. E acho que sei muito sobre elas e sobre sua “qualidade”, apenas pelo julgamento pessoal.
Nosso mundo, cada vez mais, se fundamenta na divulgação e no consumo de informações superficiais. Já não lemos as notícias, apenas as manchetes e os resumos dos jornais. E somamos a isso a conversa na hora do café, a opinião do cobrador de ônibus e a sabedoria do vizinho que conhece a vida alheia como ninguém. Tudo isso misturado de qualquer jeito e, pronto, opinião formada. Somos influenciáveis. Nossas verdades são muito relativas. E, em grande parte, nossas crenças são baseadas no senso comum do que a maioria concorda como sendo certo ou errado.
Mas, bem, esse defeito tem um nome feio à altura: preconceito. Muito menos grave com os livros do que com pessoas. E o perigo maior do preconceito (ou talvez a sua causa primária) é a generalização. É, no fim das contas, a forma como esse julgamento molda minhas escolhas, opções de vida e a forma como trato meu próximo. Tomo como comparação o passado, os gestos semelhantes de outros que também erraram e, com base nisso, me acho no direito de julgar e condenar alguém. Isso me dá um medo danado de mim mesmo.
E para ficar só no campo das opções religiosas, tomo como base o noticiário da última semana. Eu assisto ao Jornal Nacional e, só por ele, já me sinto no direito de apontar o dedo para a barriga do vizinho que ficou à mostra. Ah, não, esse vizinho não é o fofoqueiro de dois parágrafos acima, esse é o outro, o evangélico com quem tomo o elevador pela manhã, cuja aparência e excesso de simpatia deixam bem claros, para mim, o coitado que é. Bem, não tão coitado assim, penso em seguida, até porque é voluntária a sua escolha em freqüentar um lugar que lhe toma duas noites da semana com seus cultos e lhe garfa 10% do seu salário – dinheiro esse que certamente vai para o bolso do pastor e vira, dali um tempo, uma gravata de seda, um carro zero quilômetro ou sei lá, um jatinho (tem tantos pastores querendo comprar jatinhos ultimamente). Pastor esse, que deve ser um desses caras sem formação acadêmica que, não sabendo mais o que fazer da vida e com boa lábia, se viu entre um emprego vendendo filtros Europa ou a chance de “vencer na vida” tirando dinheiro de gente como o meu vizinho.
E então, depois do meu raciocínio genial, eu penso por não mais do que um minuto: “é, parece fazer sentido… provavelmente é isso mesmo… puxa, é claro que é isso!” E amanhã, quando encontrar o vizinho fofoqueiro no corredor (esse também devidamente rotulado), vou ter assunto para falar do caso dos pastores que roubam dinheiro por aí e citar o exemplo do vizinho evangélico, um coitado, que deve estar alimentando esse tipo de gente corrupta.
Opa, mas peraí, eu sou evangélico!
…
E, perdido num instante de consciência – porque, afinal, tenho para mim que não sou um “coitado” manipulado –, fico achando que tal como odiaria ser visto da forma com que julgo minha companhia de elevador, talvez não faça sentido eu ficar olhando para as pessoas a partir das suas aparências.
Volto o pensamento para a mensagem essencial do livro que digo ser minha base de vida (e do vizinho também) e lembro-me de algo tão simples como “ame seu próximo como a si mesmo e a Deus acima de todas as coisas” ser o resumo de tudo o que recheia aquele exemplar de capa escura, letras miúdas, mais de mil páginas e nenhuma, nenhuma figurinha!
E eu bato na testa tentando firmar uma verdade para mim mesmo: “amor, Henrique, amor! O seu Deus é amor”. E faço uma regrinha para pregar na porta da geladeira, repetir diariamente e nunca mais cair no mesmo erro:
Nem todo pastor evangélico é desonesto.
Nem todo padre é pedófilo.
Nem todo pai-de-santo é safado.
Nem todo rabino é avarento.
Nem todo muçulmano é terrorista.
Nem todo ateu é insensível.
Nem toda pessoa que tem uma opção religiosa é intelectualmente inferior.
Aproveito ainda esse instante para anotar que eu preciso lembrar que somos todos iguais, que todas as pessoas foram criadas por Deus e moldadas à sua imagem e semelhança. E não, também não posso esquecer que Deus não é religioso, não é católico, evangélico, espírita ou hindu (mas não se animem todos porque ateu, seguramente, ele não é).
E, como iguais, meus vizinhos e eu temos os mesmos direitos (de sermos respeitados por nossas escolhas) e deveres (de respeitar o direito alheio). Talvez, se não cruzássemos essa linha, viveríamos em harmonia e até, quem sabe, a relação entre nós iria além do superficial “bom dia” trocado no elevador e descobriríamos, no fim das contas, que alugamos o mesmo tipo de filme na locadora, que temos a mesma profissão, que nossas crianças brincam juntas no parquinho, que torcemos pelo mesmo time e, porque não, lemos os mesmos livros.
Porque, afinal, para livros e pessoas, independentemente da capa que os envolve, o que tem valor é o seu interior.
“Os livros não mudam o mundo, quem muda o mundo são as pessoas. Os livros só mudam as pessoas.” (Mário Quintana – poeta cujos livros não li porque as capas não tinham tanto apelo. Até agora).
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Cenas domésticas: sensibilidade paterna
17/08/2009 · 2 Comentários
por Luiz Henrique Matos
Deitei com a Nina para ver um desenho na tv. Ela ali, encolhida, com a cabecinha recostada no meu peito. Momento de plena satisfação paterna e eu acreditando que, afinal, é das pequenas coisas que se fazem a vida e tal e tal.
- Filha? – falei sem tirar os olhos da tv.
Ela só me olhou com o canto dos olhos, sorrindo.
- Papai ama muito você, viu?
- Tá bom!
Não satisfeito, tocado pelo momento, emendei.
- O papai gosta muito de ficar aqui brincando com você, sabia?
Ela me olhou de novo, sorriu, voltou os olhos pra tv e comentou:
- Tá, papai. Mas não chola, tá?
–
(postado originalmente no Frases de Crianças)
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Uma foto
14/08/2009 · Deixe um comentário
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